Qual o atual cenário da Ovinocultura de corte Paulista?

“Não adianta só debater técnica se a visão do negócio não for mudada”.
Baseada nesse conceito, a equipe de profissionais do projeto CordeiroBIZ – Ovinocultura de Corte estruturou o seu II Dia de Campo para ovinocultores com o tema ‘Planejando a Produção de Cordeiros’. O evento será realizado na Cabanha Mantovinos, em Porangaba – SP, no dia 30 de junho deste ano. A expectativa é fortalecer o trinômio “universidade-tecnologia-produtor”, no qual o ovinocultor, como elo principal da cadeia, será motivado a buscar resultados concretos para sua produção.

A ovinocultura, assim como toda a indústria pecuária, tem na remuneração sobre o capital investido um dos indicadores mais importantes, senão o mais importante, na decisão de se investir na atividade. Esse indicador deve necessariamente se mostrar positivo uma vez que vai determinar a viabilidade econômica do negócio. Como tal, precisa ser de fácil compreensão para os ovinocultores para a medição de seus resultados e, visando uma ação social e motivadora, inseri-se a possibilidade de se divulgar esses índices econômicos nos meios de comunicação, estimulando o interesse de novos investidores.

A ovinocultura de corte no Brasil está passando por um processo de profissionalização dos seus atuantes devido a necessidade de se resolver um problema grave, e primário, da falta de mão-de-obra qualificada para assumir as rotinas das propriedades. O primeiro impasse acontece quando se busca funcionários com experiência na atividade, e quando essa contratação é efetivada, uma sequência de erros básicos de manejo passam a afetar diretamente a viabilidade do negócio.

O melhoramento genético é permanente e acumulativo enquanto que práticas de manejo têm efeitos a curto prazo e são mais susceptíveis a mudanças.
Os desafios e oportunidades para uma produção rentável de ovinos nunca tiveram um melhor momento do que o atual. É fundamental que os ovinocultores não apenas ‘zelem’ pelo patrimônio genético adquirido ao longo dos anos de produção como também busquem melhorar o rebanho por meio da compra de animais geneticamente superiores. Desta forma, o melhoramento genético é uma estratégia a longo prazo com principal objetivo focado no aumento da rentabilidade. A negligência dessa ferramenta tão imprescindível é refletida diretamente nos índices zootécnicos do rebanho.
A mão-de-obra não só na ovinocultura como em qualquer atividade é um verdadeiro entrave no sucesso do empreendimento. Cuidados diários com o rebanho, limpeza das instalações, manutenção; torna-se claro a necessidade de muita disposição ao trabalho rotineiro, além da vontade de aprender que deve fazer parte do dia-a-dia do profissional da ovinocultura.

O ovinocultor deve buscar resultados, conseguindo assim focar o planejamento da produção de cordeiros
Início do ano, após balanço do que aconteceu com a ovinocultura em 2011, é o momento de avaliar os resultados alcançados, planejando o ano presente. Depositamos esperanças em novas promessas, propomos mudanças e estipulamos sonhos como metas, então é a hora de uma reflexão… Pensando em um pronunciamento vindo da ovinocultura de corte do Brasil após este balanço, estimando um próspero 2012, ela pediria mudanças, essas urgentes, para a construção de um novo cenário, que explore o potencial que o nosso país possui para atender a demanda do mercado consumidor interno e as demandas internacionais da carne de cordeiro.

O cuidado das ovelhas com seus cordeiros. Seleção constante dessas e demais características no rebanho de matrizes da fazenda, em todas as etapas do sistema de produção.
A produção de ovinos pode ser dividida em três principais etapas: cria, recria e engorda. Sobre essas três fases temos muitos tipos de manejo de produção, variações muito grande quando comentamos sobre investimentos. Porém, a rentabilidade e o desenvolvimento de projetos de produção com animais domesticáveis têm sido colocada de frente quando falamos de sucesso na produção, onde somente quem sobrevive a esse sistema bem sucedido é quem visa seleção!

Marketing e incentivo do governo juntamente com os frigoríficos e organizações como a Beef + Lamb New Zealand são importantes ações de promoção da carne ovina mesmo dentro do país. Esse é um dos cartazes de divulgação das atividades do festival do cordeiro, que aconteceu em setembro na região central de Hawke’s Bay na ilha norte da Nova Zelândia, já indicando que a região é ‘o país do cordeiro’ (Lamb Country). As estratégias de marketing amplamente difundidas pelos frigoríficos foram desenvolvidas a partir do tema principal da campanha: ‘do pasto ao prato’ e já vêm alcançando resultados muito positivos.
A Nova Zelândia tem uma longa história quando o assunto é produção ovina e, desta forma, possui uma cadeia produtiva bem definida agregando direta e indiretamente vários setores da indústria. A ênfase em produção de carne deu-se, principalmente, a partir da década de 80 à medida que os preços pagos pela lã sofriam desvalorização acentuada e a introdução de raças ovinas de dupla aptidão se fazia necessária como finalidade alternativa para o setor no país. Hoje, com 90% da produção de carne ovina destinada à exportação, a economia da Nova Zelândia depende intimamente da relação entre produtor-frigorífico-consumidor para se manter competitiva no mercado internacional agropecuário mesmo frente aos desafios de variação cambial e de limitantes geoclimáticos.
Comum encontrarmos o uso do termo ‘criador’ para definir as pessoas ou propriedades que detém alguma espécie animal: criam-se galinhas, porcos, vacas, mulas, ovelhas, etc. O tamanho dessas criações é variado, o termo foi difundido e hoje temos grandes e estruturadas propriedades que adotam esse título, e na ovinocultura encontramos os ‘criadores de ovelhas’.